Princípios do treinamento

Copy of Maratona Beto C 2009 016Como o foco deste blog é a preparação física, seja ela visando o esporte ou a saúde, é importante explicarmos os princípios que baseiam o treinamento.

Vários autores escreveram sobre os princípios do treinamento. Nos próximos parágrafos escreverei baseado nos textos de dois dos maiores nomes do treinamento: o romeno Tudor Bompa e o brasileiro Estélio Dantas.

 Primeiramente, os seis princípios de acordo com Dantas, pois a obra deste autor não é tão específica a atletas: 

  • Individualidade biológica: Diz que, ao prescrever um treinamento, devemos respeitar as diferenças de cada indivíduo. Características antropométricas, físicas, psicológicas, nível de condicionamento físico, entre outros.
  • Adaptação: Este, ao meu ver, é o princípio de maior importância. Diz que o treinamento gera um stress no organismo e, devido a este stress, o organismo se adapta. E aí que está a razão para tantos estudos, tantas competições, tantos métodos de treinamento: o organismo SE ADAPTA! Ou seja, nosso corpo, diante de algum stress, tem capacidade de evoluir e superar este stress. Graças a esta adaptação que é possível o aumento das capacidades físicas.
  • Sobrecarga: Fazendo um gancho com o princípio anterior, este é o stress. A sobrecarga é o responsável pela adaptação.
  • Interdependência volume-intensidade: Este princípio diz que a sobrecarga total de um treinamento depende da relação entre dois fatores: O volume (Ex: nº total de repetições, nº de séries, duração do exercício) e a intensidade (Ex: total de peso movimentado, velocidade do exercício). Ou seja, sempre, no treinamento, que um deles aumenta, o outro tende a reduzir e o controle destas variáveis é crucial no planejamento de um treinamento. A tendência, num período longo de treinamento, é que a sobrecarga total de treinamento se inicie com predomínio do volume e, aos poucos, ele vá reduzindo, dando espaço à intensidade, que é dominante no período pré-competitivo.
  • Continuidade: De acordo com o autor, para que um treinamento tenha resultado, independentemente dos outros fatores, ele deve ser mantido por um período. Além disso, deve ter uma progressão dentro do período.
  • Especificidade: Diz que o treinamento deve ser específico ao objetivo que se deseja atingir. Se alguém pretende melhorar sua corrida em determinada distância, deve treinar relativo às características (fisiológicas, biomecânicas, técnicas) desta distância.

 

Bompa fala em sete princípios, alguns com significado semelhante aos de Dantas. Note que os princípios segundo este autor são mais voltados ao treinamento esportivo, e retratam particularidades existentes apenas nos desportos. Cabe ao treinador/técnico/instrutor adaptá-los à sua realidade. Eis: 

  • Participação ativa: é o principio que se refere ao comportamento do atleta. Diz que o atleta precisa entender a extensão e o objetivo do treinamento, as suas obrigações durante as longas fases do treinamento e o seu papel criativo e independente. Ele precisa se conscientizar que o resultado depende da sua participação e esforço.
  • Desenvolvimento multilateral: Diz que, nos períodos iniciais de treinamento, este não deve ser específico, mas, sim, englobar vários tipos de estímulos diferentes. Em termos técnicos, deve-se evitar a especialização precoce, é necessário que se faça uma boa base antes de iniciar o treinamento específico.
  • Especialização: Pode ser visto como uma continuação do processo descrito no princípio anterior. Após o desenvolvimento multilateral, dá-se início à especialização. O autor comenta que cada esporte, assim como cada indivíduo, têm períodos mais apropriados para iniciar sua especialização.
  • Individualidade: Idêntico ao princípio da Individualidade biológica, de Dantas.
  • Variedade: Significa que o treinamento não deve ser monótono. Baseado em fundamentos fisiológicos, é necessário, em algumas ocasiões, que alguns exercícios sejam trocados, desde que se mantenha estímulo fisiológico para gerar adaptação (Ex: um jogador de futebol praticar ciclismo, ou natação, visando aprimorar seu condicionamento cardiorespiratório)
  • Modelação: O treinamento deve seguir o modelo da competição, com gestos e intensidades próprias do esporte. Semelhante ao princípio da Especificidade, de Dantas.
  • Progressão da carga: Diz que o treinamento deve ter um aumento gradativo de sua carga total. Este princípio é como se fosse uma mescla entre os princípios da Continuidade, da Sobrecarga e da Interdependência volume-intensidade, de Dantas. Bompa ainda aprofunda e apresenta alguns formatos de planejamento esportivo. Os quais voltarei a falar futuramente.

 Ainda há outros autores que descrevem seus princípios. Porém, acredito que, tendo em mente estes princípios acima citados, já se dá um gigantesco salto para a prescrição do treinamento, ou para entender como seu treinamento foi montado.

 

Fontes:

BOMPA, Tudor O., Periodização: teoria e metodologia do treinamento. São Paulo: Phorte Editora, 2002.

DANTAS, Estélio H. M., A prática de preparação física. 5 ed., Rio de Janeiro: Shape, 2003.

Uma resposta para Princípios do treinamento

  1. […] um pouco mais na história deste Blog, encontramos um post intitulado Princípios do treinamento, que fala do princípio da especificidade, ou seja, um treinamento específico gera uma adaptação […]

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